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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Diálogo Criativo Mente-Cérebro e DNA



O Diálogo Criativo Mente-Cérebro e DNA

Francisco Di Biase Grand PhD, PhD, Full Professor, World Information Distributed University, Bélgica Professor Honorário Albert Schweitzer International University, Suíça Professor de Pós-Graduação, Centro Universitário Geraldo Di Biase- UGB, Volta Redonda, Rio Chefe Serviço de Neurologia-Neurocirurgia e Centro de Tomografia Computadorizada, Santa Casa e Depto de Mapeamento Cerebral Computadorizado, Clínica Di Biase, Barra do Piraí, Rio de Janeiro, Brasil.


O Aspecto Molecular da Consciência
Os sistemas contemporâneos de neuroimagem que hoje utilizamos rotineiramente, como a ressonância magnética funcional (fMRI), a tomografia computadorizada com emissão de pósitrons (PET scan), o SPECT(single photon emission computed tomography) e o mapeamento cerebral computadorizado (brain mapping), demonstram que nosso cérebro não diferencia imaginação de realidade. As áreas cerebrais ativadas durante a imaginação são as mesmas ativadas durante a observação da imagem real, ou durante uma percepção sensorial. Quando nosso cérebro entra em contato com novidades ambientais, a imaginação, as visualizações e as lembranças significativas que vivenciamos, assim como os insights psicoterápicos, as terapias mente-corpo, a reabilitação, a meditação, a oração, e mesmo o exercício físico, estimulam a liberação de mensageiros químicos, e o processo de expressão genética e síntese protêica nos neurônios. Estas proteínas sintetizadas são a base molecular da plasticidade cerebral, e irão estruturar sinapses e novas redes neurais. Este processo que a seguir descrevemos de modo mais detalhado, é o fundamento da memória e da interação cérebro-mente-consciência.
O processo se inicia quando o córtex cerebral, que faz a interface com o meio ambiente, é estimulado pelas novidades do dia a dia, e envia os estímulos para o hipocampo (veja figura 1) que é um sítio temporário de armazenamento de memórias aprendizagem e comportamento. Esta interação ocorre durante o sono, o sonho e o repouso, quando a mente consciente não está ativa. Nestes períodos, o hipocampo estabelece um “diálogo atualizador”, a nível inconsciente com o córtex, um processo de repetição, atualizando e consolidando as memórias das novas experiências de vida de um modo adaptativo. Se extirparmos o hipocampo, antes do animal adormecer, a memória desaparece. Em humanos a retirada do hipocampo bilateralmente ocasiona um quadro grave de amnésia para fatos recentes.

Figura 1-O “diálogo atualizador” entre o córtex cerebral e o hipocampo. O hipocampo é um local temporário de armazenamento de memórias, aprendizagem e comportamento (modificado de Rossi, 2008).

Em um já clássico trabalho de 2001, Lisman & Morris descrevem assim este diálogo de atualização entre o córtex e o hipocampo:
“...a informação sensorial recente é direcionada através do córtex até o hipocampo. Surpreendentemente só o hipocampo aprende realmente neste momento – diz-se que ele está online. Mais tarde, quando o hipocampo está offline (durante o sono), repete a informação armazenada, transmitindo-a ao córtex. O córtex é considerado um aprendiz lento, capaz de armazenar memórias duradouras somente como resultado da repetição da informação do hipocampo. O hipocampo é apenas um armazém temporário de memórias. Uma vez que os traços de memória se estabilizem no córtex, as memórias podem ser acessadas até mesmo quando o hipocampo é removido. Atualmente há evidência direta de que alguma forma de repetição ocorre no hipocampo... Estes resultados apóiam a idéia de que o hipocampo é o aprendiz veloz online que ‘ensina’ ao córtex, aprendiz mais lento offline”.
O hipocampo, faz parte do sistema límbico, que é o circuito responsável por grande parte de nossas respostas emocionais. Portanto, através do circuito límbico as novidades memorizadas no hipocampo irão provocar manifestações emocionais no organismo. Este circuito límbico, atua através do hipotálamo, que é relacionado ao controle do sistema neurovegetativo (simpático e parassimpático), e da hipófise (pituitária), a maestra de todas as glândulas . Assim, por meio da estimulação do chamado eixo hipotálamo-hipófisário, são liberadas na corrente sanguínea moléculas-mensageiras hormonais, que irão ativar as glândulas endócrinas provocando a liberação de seus respectivos hormônios no organismo. Esses hormônios e os hormônios hipofisários, irão se ligar aos receptores das membranas celulares das células corporais e dos neurônios, provocando a liberação de segundos mensageiros proteicos no interior das células. Estes segundos mensageiros, por sua vez, migram para o núcleo das células onde sinalizam aos genes reguladores e efetores no DNA, para que iniciem a síntese protêica. A criação de novas sinapses (sinaptogênese) depende desta síntese contínua de proteínas para a formação de novas redes neurais, e de novas memórias, facilitando a plasticidade cerebral. Sem o perfeito processamento deste diálogo mente-cérebro-DNA, seria impossível a manifestação da vida inteligente e da consciência.
Lembramos ainda que o sistema imunológico também interage ativamente com este circuito mente-cérebro-gene, influenciando a liberação de imunotransmissores, e a ativação de células (linfócitos T e B, macrófagos, etc) produtoras de anticorpos, que são os responsáveis pelo rastreamento e eliminação de bactérias, vírus e células anormais, ou seja pelo reconhecimento do self e do não-self imunológico. Fenômenos experienciais como alegria, felicidade, compaixão, criatividade, tristeza, depressão, ansiedade, stress, especialmente quando se tornam crônicos, podem alterar a modulação informacional deste sistema psiconeuroendócrino-imunogenético , e diminuir a produção de neurotransmissores como as endorfinas, a serotonina, a dopamina etc , influenciando a competência imunológica. A depressão persistente na imunocompetência pode ocasionar uma diminuição da capacidade dos anticorpos rastrearem células anormais, como por exemplo, as células cancerígenas e levar ao desenvolvimento de um câncer em nosso organismo.
É nesse contexto que iremos analisar o processo de percepção e/ou criação de novidades que ao estimular a geração de novas redes neurais e novas memórias, geram uma espiral dinâmica de interações moleculares contínuas entre a consciência, o cérebro, o sistema imunológico e o DNA.
Facilitando a Plasticidade Cerebral, Essência da Criatividade

Em 2006, Eric Kandel, laureado com o Premio Nobel de Medicina, por seu magnífico trabalho sobre os fundamentos da memória, e autor da surpreendente autobiografia científica Em busca da Memória, descreveu sua trajetória científica em íntima relação com sua vida, de maneira humana e fascinante.
No capítulo “Um diálogo entre as sinapses e os genes” em seu livro In Search of Memory, Kandel detalha assim o processamento molecular da memória:
“ Propusemos que a expressão genética converte na sinapse, memória a curto-prazo em memória a longo-prazo, e que a sinapse estimulada pelo aprendizado, envia um sinal ao núcleo, para “ligar” (turn on) certos genes reguladores. Na memória a curto-prazo, as sinapses utilizam o AMP cíclico e a proteína kinase A para provocar a liberação de mais neurotransmissor. Hipotetizamos que na memória a longo-prazo esta kinase se move da sinapse para o núcleo, onde ela ativaria proteínas que regulam a expressão genética. Tínhamos que identificar o sinal enviado da sinapse para o núcleo, encontrar os genes reguladores ativados pelo sinal, e então identificar os genes efetores ligados pelo regulador ... Descobrimos que enquanto um único pulso de serotonina aumenta o AMP cíclico e a kinase A, na sinapse, pulsos repetidos de serotonina produzem concentrações ainda maiores do AMP cíclico, fazendo com que a kinase A se mova para o interior do núcleo, onde ela ativa os genes. A kinase A recruta outra kinase, chamada MAP kinase, também associada com o crescimento sináptico, que também migra para o núcleo. Confirmamos então que uma das funções do treinamento sensibilizador repetitivo - o porque da prática levar à perfeição- é desencadear os sinais apropriados na forma de kinases que se movem para o núcleo. Uma vez no núcleo, o que essas kinases fazem? Sabíamos, de estudos recentemente publicados sobre células não-neuronais, que a kinase A pode ativar uma proteína regulatória chamada CREB (cyclic AMP response element-binding protein). Isto nos sugeriu que a CREB pudesse ser um componente chave do interruptor ( switch) que converte facilitação a curto-prazo nas conexões sinápticas, em facilitação a longo-prazo, e crescimento de novas conexões. Em 1990 descobrimos que a CREB é, com efeito, essencial para o fortalecimento a longo-prazo das conexões sinápticas relacionadas à sensibilização. Ao bloquear a ação da CREB no núcleo de um neurônio, bloqueamos o fortalecimento das conexões sinápticas a longo-prazo, mas não as de curto-prazo! Isto era impressionante: ao bloquear esta única proteína regulatória, bloqueava-se o inteiro processo de transformação sináptica a longo-prazo!
Então, mesmo tendo dito por longo tempo que os genes do cérebro são os governantes do comportamento, os mestres absolutos de nosso destino, nosso trabalho demonstrou que tanto no cérebro como na bactéria, os genes são também servos do meio ambiente. Eles são guiados por eventos do mundo externo”.

Em 2001 e 2006, Kandel demostrou que a expressão genética e a plasticidade cerebral podem ser facilitadas por psicoterapia:
“A psicoterapia ou o aconselhamento psicológico são efetivos e produzem mudanças à longo prazo no comportamento, por meio da aprendizagem, desencadeando mudanças na expressão genética que altera as conexões sinápticas provocando mudanças estruturais, que mudam o padrão anatômico das interconexões entre as células do cérebro. Com o aumento da resolução de imagens cerebrais, teremos avaliações quantitativas do resultado da psicoterapia...
De maneira simplificada: a regulação da expressão genética por fatores sociais faz com que todas as funções do corpo, incluindo todas as funções do cérebro, sejam suscetíveis às influências sociais. Estas influências serão incorporadas biologicamente às expressões modificadas de genes específicos, em células nervosas específicas, de regiões específicas do cérebro. Estas modificações socialmente influenciadas são transmitidas culturalmente”.

Hoje, imagens de ressonância funcional de alto campo, como a que reproduzimos abaixo, da revista inglesa NewScientist, demonstram em tempo real, tal como previu Kandel, a dinâmica entre o córtex e o hipocampo:


Figura 2 - De sua localização central, o hipocampo (amarelo) conecta regiões distantes do córtex (vermelho) envolvidas em uma lembrança particular. Nesta imagem, o cérebro foi tornado semitransparente, e se superimpôs uma imagem de ressonância funcional da atividade cerebral com uma imagem de ressonância magnética de sua estrutura.


Em 2008, Ernest Rossi, conhecido terapeuta ericksoniano, utilizou esta constatação de Kandel para descrever um modelo psiconeurocientífico por meio do qual a psicoterapia e a hipnose terapêutica, seriam capazes de estimular a plasticidade cerebral por meio de “um diálogo criativo com nossos genes”
Afirma ele : “A psicoterapia e a hipnose terapêutica podem ser descritas por um modelo neurocientífico que demonstra serem estas técnicas capazes de estimular a plasticidade cerebral, e gerar um dialogo criativo com nossos genes”.
Seu modelo nos fascina pela possibilidade de sua aplicabilidade em todos os campos do conhecimento, por meio de uma nova Bioinformática, a ciência que descreve os processos de transdução da informação durante a interação mente-corpo-gene.
Classicamente o processo de criatividade, capaz de estimular a sinaptogênese gerando novas redes neurais e novas memórias, é compreendido como um processo de quatro estágios:
Estágio um: Ter uma idéia e começar a trabalhar no problema
Estágio dois: a difícil experiência de lutar tentando resolver o problema
Estágio tres: O momento criativo. Um ” flash of insight”.
Estágio quatro: A feliz solução do problema
Estes quatro estágios foram identificados tanto nas Humanidades quanto nas Ciências e na Psicologia o que mostra a existência dos mesmos processos psiconeuroendócrino-imunogenéticos em jogo, em todas as atividades humanas.
Em seu livro The New Neuroscience of Psychotherapy de livre acesso online, Rossi nos mostra que o processo criativo de quatro fases , tem sua correspondência no processamento dos quatro níveis psicobiológicos da interação mente-corpo-gene durante a expressão genética e o processo de plasticidade cerebral. Abaixo ampliamos e especificamos mais detalhadamente esse processamento molecular de quatro níveis:
1- A informação do mundo exterior codificada nos neurônios do córtex cerebral e no hipocampo é transformada no sistema límbico-hipotalâmico-pituitário em moléculas mensageiras (hormônios), que conduzem pela circulação a informação até os receptores das membranas celulares
2- Os receptores nas membranas celulares, transmitem o sinal, via segundos-mensageiros protêicos como a kinase A, ao DNA no núcleo da célula, onde genes reguladores comunicam aos genes efetores para transcrever seu código para o RNA mensageiro (RNAm).
3- Os RNAm transportam a mensagem genética do núcleo das células para os ribossomos no citoplasma, organela na qual se processa a síntese de proteínas. Esta transcrição do código genético, ocorre por meio da justaposição, um a um, dos aminoácidos selecionados a partir de cada tríade trazida pelo RNAm copiadas da linguagem do DNA do núcleo. Estas tríades são letras do alfabeto genético, a linguagem da vida, formadas pela sequência de três das quatro bases nitrogenadas – A adenina, T timina, G guanina e C citosina. Cada tríade corresponde a um dos 20 aminoácidos essenciais encontrados na natureza, disponíveis no citoplasma da célula. Esses aminoácidos no citoplasma da célula, são conduzidos ao ribossomo durante a síntese protêica, por um outro tipo de RNA, o RNA transportador (RNAt). Uma sequência de aproximadamente trinta aminoácidos unidos em sequência constitui uma proteína. As proteínas assim sintetizadas, são as estruturas últimas de cura do corpo e irão atuar em nosso organismo como:
a) Proteínas estruturais
Qualquer forma de cura ou regeneração orgânico-celular necessita de proteínas para se concretizar, pois as membranas celulares são constituídas por proteínas e lipídios.
b) Proteínas funcionais
Representadas pelas Enzimas e Anticorpos.
Enzimas são proteínas funcionais que facilitam as dinâmicas energéticas, aumentando a velocidade das reações químicas celulares, sem aumento de temperatura, através de reconhecimento estereoquímico (uma forma de cognição). Anticorpos são proteínas funcionais denominadas imunoglobulinas, que possuem a função de reconhecer e destruir células bacterianas, vírus invasores, e células mutantes como as células cancerígenas.
c) Proteínas receptoras
Funcionam como receptores e como canais transdutores de informação, nas membranas celulares.
d) Proteínas-mensageiras
São moléculas transportadoras de informação como os hormônios.
4) As moléculas-mensageiras funcionam como uma espécie de “memória molecular” sendo capazes de evocar memória dependente de estado, aprendizagem e comportamento nas redes neurais do cérebro.

Plasticidade Neural e Terapias Acadêmicas e Alternativas
Estimulamos a plasticidade cerebral com as novidades que entramos em contato, portanto qualquer forma de terapia seja ela alopática, homeopática complementar, alternativa, noética ou integrativa – e isto é de importância fundamental para o entendimento dos mecanismos de cura tanto dos tratamentos acadêmicos quanto dos tratamentos alternativos - provocarão mudanças nas redes neurais, na criação de novas memórias e geração de mais neuroplasticidade. Este dado, torno a dizer, é de fundamental importância, para compreendermos os mecanismos de ação, e interpretarmos os processos de cura em jogo nas terapias alternativas e acadêmicas. Neste contexto psiconeuroendócrinoimunogenético todas as formas de terapias, sejam elas acadêmicas ou alternativas, são válidas, pois estimulam os genes a expressar um código-DNA para sintetizar proteínas, que são as estruturas ultimas de cura do organismo, ie, “máquinas moleculares” promotoras da cura mente-corpo.
Este ciclo completo de comunicação e cura mente-corpo-gene, assim como a maior parte das atividades de nossa vida diária que levam comumente cerca de 90 -120 minutos para se concretizar, se relacionam com a liberação na circulação de diversos hormônios ativadores e inibidores da atividade celular. Esses hormônios, como o cortisol, a adrenalina, a testosterona, o hormônio do crescimento, o DHEA (dehidroepiandrosterona), e inúmeros outros neuropeptídios e neurotransmissores, possuem ciclos de liberação na circulação de mais ou menos 120 minutos, conhecidos como “Ciclos Ultradianos”, em contraste com o “Ciclo Circadiano” de 24horas. Em Cronobiologia este ciclo é conhecido como “Ciclo Básico de Repouso-Atividade” ou BRAC , na sigla em inglês.
Kandel (2006) demonstrou, que o Ciclo Ultradiano Básico de Atividade e Repouso (BRAC) quando estimulado por sinais novos e estimulantes do meio ambiente “liga” os genes atividade–dependentes, desencadeando a síntese de novas proteínas, facilitando a sinaptogênese e a plasticidade cerebral. Este processo de interação mente-cérebro, cérebro-corpo, e célula-gene, leva cerca de 90 a 120 minutos para se concretizar, sendo que a última etapa, célula-gene, gasta somente 20 minutos. Segundo Rossi, esta janela de tempo demonstra o tempo ideal para a realização da psicoterapia. Com efeito, este timing permitiria ao paciente criar novas redes neurais, estimulando a neuroplasticidade a partir dos insights surgido durante a psicoterapia e a estimulação corporal, se estiver realizando uma terapia mente-corpo.
E mais ainda, Rossi cita autores que demonstraram que este processo, pode ser representado por uma curva proteômica que demonstra a energia para o dobramento das proteínas nos neurônios, e por uma curva genômica representando a expressão genética para genes de expressão imediata como o c-fos, e mais 10 outros genes.

Consolidando a Memória
O neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro e col., em 2002 e 2004 , demonstrou que quando experienciamos novidades significativas, enriquecimento ambiental, ou quando nos exercitamos durante o estado de vigília, o gene zif-268 é expressado durante o sono REM, relacionado aos sonhos. Segundo ele:
“a reverberação neuronal sustentada durante o sono de ondas lentas, é imediatamente seguida por expressão de genes relacionados à plasticidade durante o sono REM, o que explica o benefício do sono na consolidação de novas memórias”.
Este gene zif-268 é um gene de expressão imediata relacionado a estados comportamentais e associado à geração de proteínas e fatores de crescimento neuronal que facilitam a plasticidade cerebral.
Em 2008, Ribeiro revelou a existência de “ciclos de plasticidade”, relacionados a três ondas espaço-temporalmente distintas da expressão do zif-268, que se inicia no hipocampo 30 minutos após estimulação, ainda durante a vigília, com propagação para áreas extra-hipocampais distais, durante os dois episódios subsequentes de sono REM. Cada onda reguladora ascendente (“up-regulation”) do zif-268 foi interrompida pelo próximo episódio de SWS (sono de ondas lentas, não relacionado ao sonho), indicando a existência de ciclos recorrentes de plasticidade, conforme os dois estados de sono alternavam.
As implicações terapêuticas desse processo são imensas, pois os sonhos funcionam como replays criativos, e a reverberação neuronal durante o sono de ondas lentas (sem sonhos), seguida pela expressão de gens relacionados à plasticidade cerebral durante o sonho, irão gerar transformações criativas na mente e no comportamento. Ao utilizarmos a janela de tempo deste ciclo de expressão genética e plasticidade cerebral para consolidar a reconstrução do medo, do stress, das memórias traumáticas e dos sintomas emocionais, durante a psicoterapia, a hipnose terapêutica, e as terapias mente-corpo, realizando o “dialogo criativo com nossos genes”, proposto por Rossi , aumentamos enormemente a possibilidade de sucesso em nossa intervenções terapêuticas.
Nossa experiência clínica nos vem demonstrando que a terapia auxiliada pela indução de estados amplificados de consciência, como a meditação, a oração, a visualização criativa, o relaxamento, são mais eficazes se respeitarmos esta sabedoria da natureza, esta janela de tempo de 90-120 minutos, do processo de interação mente-cérebro-gene. É muito importante orientarmos o paciente quanto à necessidade de um sono repousante, para que através dos ciclos de plasticidade possa consolidar o que foi percebido e compreendido como relevante durante o processo terapêutico .
Em resumo, quando despertamos do sono, sonho, contemplação, meditação, oração, ou ao realizarmos alguma forma de terapia, seja ela acadêmica ou alternativa, ou mesmo quando em nossa vida diária entramos em contato com novidades significativas, estamos facilitamos o diálogo criativo entre o córtex , o hipocampo, o sistema límbico, o sistema imunológico e o DNA, processo fundamental para a vida e a manifestação da consciência.
Como estas transformações naturais da mente, a modulação da expressão genética e a plasticidade cerebral são suscetível às influências ambientais e sociais, isso permite fazermos uma escolha entre o que Rossi denomina “resposta ultradiana de cura” e “resposta ultradiana de stress” que ocorrem naturalmente durante o dia, a cada duas horas aproximadamente:
“Propomos que o estresse crônico induzido por ignorar e pular esta fase natural de repouso do Ciclo Básico de Repouso-Atividade é uma fonte primária de desordens psicossomáticas que podem ser resolvidas mediante terapia mente-corpo via hipnose terapêutica” ( Lloyd e Rossi, 1992, 2008; Rossi & Nimmons, 1991).
Podemos ou não, desfrutar a fase natural de repouso-cura do ciclo. Se optarmos, por esta Resposta de Cura, obedecendo à sabedoria sistêmica da interação mente-corpo, podemos vivenciar as seguintes etapas segundo Rossi:

RESPOSTA ULTRADIANA DE CURA
1. Sinais de Reconhecimento do BRAC
Aceitação do chamado da natureza para relaxar, e da necessidade de repouso e recuperação de força e bem estar, desencadeando uma experiência de conforto e gratidão.
2. Respirar Profundamente
A respiração mais profunda chega naturalmente após alguns momentos de descanso. Sinal de que você está penetrando em um estado mais profundo de relaxamento e cura. Explore o profundo sentimento de conforto que chega espontaneamente. Relembre as possibilidades de comunicação e cura mente-gene, com uma atitude “compassiva e desapaixonada”.
3. Cura Mente-Corpo
Fantasia espontânea, memória, imaginação ativa e estados numinosos são orquestrados para a cura e reenquadre da vida. Algumas pessoas tiram uma “soneca”.
4.Rejuvenescimento e Despertar
Despertar natural com sentimentos de serenidade, clareza e cura e um sentimento de melhora do desempenho e bem estar.

Se ao contrário, como frequentemente ocorre, optarmos pela Resposta de Stress, então teremos a seguinte sequência de eventos:

SÍNDROME ULTRADIANA DE STRESS:
1. Rejeição do Chamado da Natureza
Rejeição do chamado da natureza, para a necessidade de repouso e
recuperação de força e bem estar, ocasionando uma experiência de stress e fadiga.
2. Liberação Hormonal
O esforço contínuo frente à fadiga leva à liberação de hormônios de stress provocando um curto-circuito no ciclo de repouso ultradiano. O desempenho prossegue às expensas de um desgaste oculto, gerando mais stress e necessidade de estimulantes artificiais como cafeína, nicotina, álcool, cocaína etc.
3. Mal Funcionamento Orgânico
Aparecem muitos erros no desempenho, memória e aprendizagem. Problemas emocionais, como depressão e irritabilidade tornam-se manifestos. Você pode ficar abusivo e descontrolado consigo e com os outros.
4. O Corpo Rebelde
Sintomas Psicossomáticos clássicos lhe dominam e você finalmente tem que parar e descansar. Fica uma sensação persistente de fracasso, depressão e doença.

Compreendendo o stress
Selye, criador do termo stress, define o stress como “um estado de tensão do organismo quando obrigado a utilizar suas defesas para enfrentar qualquer situação desafiadora”.
Quando estressados mobilizamos energia por meio do aumento da liberação da glicose, de oxigênio, de cortisol, e de adrenalina, aumentando o tônus cardiovascular, a frequência respiratória, melhorando a cognição e a memória-dependente do hipocampo, aumentando a liberação de dopamina nas vias de prazer, e suprimindo a reprodução, a imunidade, o crescimento, e a digestão.
Se a situação estressante se tornar crônica, os efeitos do stress a longo-prazo no organismo irão provocar diminuição da liberação de glicose, piora da função hipocampal e da memória com atrofia neuronal, diminuição da plasticidade sináptica, inibição da neurogênese, lesão e morte de neurônios, diminuição da liberação de dopamina, aumento da função da amigdala (relacionada ao medo e à ansiedade), ocasionando mudanças eletrofisiológicas e estruturais, e piora da função do córtex frontal e de sua função executiva, também desencadeando mudanças eletrofisiológicas e estruturais.
A não-resolução da situação crônica de stress irá desencadear o aparecimento das chamadas Doenças de Adaptação que são desordens orgânicas relacionadas ao stress, como hipertensão stress-induzida, doença cardíaca, derrames, diabetes, miopatias, síndrome da fadiga crônica, fibromialgia, ulceras, colite, amenorréia, impotência e diminuição da libido, nanismo psicogênico, aumento do risco de doenças, morte dos neurônios, notadamente no hipocampo, levando à perda progressiva de memória e até ao desenvolvimento de estados demenciais .
Quando alteramos o fluxo natural de informação, vivendo uma vida estressante , modificamos as liberações hormonais ultradianas e interrompemos o fluxo de inteligência que sustenta a vida (segundo a Medicina Ayurvédica tradicional da Índia, a doença é a interrupção do fluxo natural de inteligência).
Estamos sendo continuamente criados e reestruturados (rewired) durante toda a nossa vida! Hoje sabemos que manter durante a vida a atividade cerebral ativada continuamente por estímulos renovadores, aumenta exponencialmente a densidade das conexões neuronais, permitindo a superação do processo natural de envelhecimento e atrofia cerebral, desacelerando ou até mesmo impedindo o aparecimento dos processos de demenciação. Permite ainda desenvolvermos uma melhor capacidade neuroendócrina e imunológica que nos leva a suportar melhor, e superar a maior parte das doenças do envelhecimento!
Eric Kandel, com toda sua vitalidade, alegria de vida e longevidade que percebemos o tempo todo assistindo ao DVD In Search of Memory, nos parece exatamente o tipo de pessoa que conseguiu fazer de sua vida um estímulo à inteligência e à integridade mente-corpo!

Neurônios-espelhos, plasticidade cerebral, e experiências numinosas
Neurônios-espelhos são células recentemente descobertas que são capazes de mediar a empatia na psicoterapia, a transferência na psicanálise, e o rapport na hipnose terapêutica e nas terapias mente-corpo (Rossi, 2008). São de uma importância fundamental na intermediação da aprendizagem e do comportamento social nos contextos culturais em que vivemos, pois “constroem pontes entre os mitos e metáforas religiosas psicoespirituais de todas culturas, e a consciência”.
Rossi nos lembra que as interações psicossociais entre as pessoas, assim como a atuação dos contadores de estórias, cantores, dançarinos, oradores, atores, e políticos de todo tipo capazes de “conduzir” uma audiência, estão na verdade, promovendo por intermédio da ação dos neurônios espelhos, a expressão genética, a criação de novas redes neurais e estimulando a plasticidade cerebral.
“Procuramos construir pontes entre nossas experiências numinosas da arte , do belo, da verdade e da auto-criação em todos os níveis, da mente ao gene, fundamentando um novo approach bioinformático para a medicina, a psicoterapia e a reabilitação” (Rossi 2008).

Bibliografia selecionada da primeira parte

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O Aspecto Informacional-Holográfico da Consciência

Para levarmos nossa aventura adiante em busca da natureza da consciência, necessitaremos ultrapassar a visão molecular sintetizada acima, e a visão clássica de informação elaborada nos anos 40 do século XX por Claude Shannon, que desenvolveu uma teoria da comunicação dependente da capacidade em bits, que é incapaz de fornecer uma conexão adequada com o conceito de informação quântica não-local, e a consciência. Precisamos para isso de uma visão mais radical da informação para elaborarmos uma visão mais radical da natureza fundamental da consciência.
Stonier , físico, define informação como “ o princípio organizacional cósmico com um ‘status’ igual à matéria e à energia. David Chalmers que é um filósofo da mente, também propõe que “consciência é um aspecto irredutível do universo, como o espaço, o tempo e a matéria. Alguns físicos quânticos, como W. Zureck, ultimamente têm proposto uma Lei de Conservação da Informação, mais fundamental do que a Lei de Conservação da Matéria e Energia, que permitiria concebermos informação desta forma mais radical.
Em 1999, no paper Information Self-Organization and Consciousness, publicado nos USA e na Europa, propuz uma nova Teoria Holoinformational da Consciência, fundamentada na moderna física da informação quântica surgida nos anos 90. Neste trabalho, defini informação como “ uma propriedade intrínseca, irredutível, e não-local, do universo, capaz de gerar ordem, auto-organização e complexidade “. Nesta concepção mais ampla, informação passa a ser entendida como uma dimensão primária e irredutível, tão básica e incorporada à organização do universo quanto a energia, a matéria, e o espaço-tempo. Lembro-me com emoção ainda, do debate que esta idéia gerou, quando apresentei esta Teoria Holoinformacional da Consciência pela primeira vez, no congresso Science and the Primacy of Consciousness, na Universidade de Lisboa em Portugal, em 1998, tendo Karl Pribram como moderador. Durante o debate, após a minha apresentação, fui desafiado por um cientista, australiano, que me pediu que definisse melhor esta nova concepção de informação. De um modo mais intuitivo do que racional, em segundos, tive uma iluminação, um insight, e vislumbrei de imediato todo o conhecimento que me levara a esta definição, emergindo em minha mente a definição acima de informação. Ao ouvir esta definição, Pribram imediatamente se levantou, e se encaminhou em minha direção, cumprimentando-me e dizendo que concordava plenamente com minhas idéias. Foi o início de uma bela e profunda amizade que me permitiu trazê-lo ao Brasil, para ministrar a conferência magistral, O Modelo Holográfico de Consciência, no simpósio Fronteiras da Consciência, organizado no Rio, por mim e o colega Jairo Mancilla. Nesta oportunidade, pude passar alguns dias ao seu lado curtindo sua imensa sabedoria, e ao mesmo tempo lhe mostrando as belezas naturais do Rio, o Cristo Redentor, o Pão de Açucar, nossas famosas praias e restaurantes, o passeio de barco pela baía de Guanabara, nossas mulheres maravilhosas, e nosso povo alegre e descontraído.
O Reencontro da Ciência com a Consciência
Desde os anos 70 do século XX vem ocorrendo um renascimento do interesse científico sobre a natureza da consciência, que se acelerou imensamente nos anos 90, com a moderna tecnologia de neuroimagem que permitiu visualizarmos , o “fluxo da consciência”, descrito por William James, no século XIX. No entanto, filósofos da mente como David Chalmers, clamaram que o substrato neural da consciência não é a mesma coisa que a consciência em si, e que devemos estar alertas para o que ele denomina hard problem (o problema difícil) e easy problem (o problema fácil). O “easy problem”, - que não é tão fácil assim como pensam os filósofos - refere-se ao que compreendemos sobre o funcionamento do cérebro e a experiência consciente, com o uso da moderna ciência e tecnologia. O “hard problem” seria a experiência interior, nossa e dos outros, que experienciamos, por exemplo quando olhamos uma rosa vermelha, ou seja, a qualidade da nossa experiência consciente ou qualia. A rosa vermelha que admiramos e cheiramos não é o mesmo que o substrato neural desta experiência. A experiência interior da “vermelhitude” da rosa não são os comprimentos de onda da cor vermelha, nem o substrato neural que nossos modernas ressonâncias magnéticas com seus computadores estão descrevendo!!
Um novo Modelo de Consciência
O modelo de consciência que desenvolveremos aqui, permite introduzirmos a espiritualidade no arcabouço da Ciência, pois como a consciência (consciousness) passa a ser compreendida como o fluxo de informação quântico-holográfica que religa o cérebro e o Cosmos, nossa fonte primordial. Assim, os fenômenos transpessoais, parapsicológicos, paranormais, mediúnicos e religiosos são entendidos como processos normais da própria estrutura quantum-informacional-holográfica do universo. Nesta nova visão paradigmática, nosso cérebro é compreendido como parte de uma vasta mente espectral quântico-holográfica que assemelha-se à própria organização do cosmo, mas de modo diferente ao proposto pelo panpsiquismo. Somos muito mais vastos do que nossas consciências individuais, e partes ativas de uma complexa holoarquia quântica, na qual cada consciência contém a informação do todo, e pode acessá-la por meio de estados elevados de consciência que como veremos, otimizam o tratamento holográfico da informação neuronal. Nestes estados alterados de consciência podemos interagir com a ordem espectral “oculta” , “implícita”, descrita na teoria quântico-holográfica de David Bohm, e, com uma ordem superior superimplícita, talvez o objeto final de nossa busca, da qual somos feitos “à imagem e semelhança”, tal como o objeto real que gera o holograma! Este modelo unifica ainda as neurociências e as abordagens psicoterapêuticas transpessoais, com as tradições espirituais, fundamentando cientificamente uma nova cosmovisão transdisciplinar holística da consciência, mais abrangente do que o paradigma cartesiano-newtoniano predominante na ciência do século XX e XXI. Ao ser capaz de explicar todos os desenvolvimentos do antigo paradigma, e ir além explicando o fenômeno da consciência , podemos estar vivenciando uma mudança de visão de mundo na história da Ciência, tal como descrito por Kuhn.

O Modelo Holoinformacional da Consciência
Considero este modelo de consciência como uma extensão do dualismo interativo desenvolvido por Sir John Eccles nos anos 70 e 80, e do monismo ontológico desenvolvido experimentalmente desde os anos 60 por Karl Pribram, recentemente ampliado por mim e Richard Amoroso. É uma interpretação da natureza da consciência baseada em um modelo quântico-informacional holográfico da interação cérebro-consciência-universo, fundamentado em três pilares da ciência moderna :
1- O modelo dos campos neurais quântico-holográficos desenvolvido por Sir John Eccles e Karl Pribram.
2- A interpretação causal holográfica da teoria quântica desenvolvida por David Bohm.
3- As propriedades não-locais do campo quântico desenvolvidas por Hiroomi
Umesawa.
A idéia desenvolvida por Eccles de uma interconexão entre o cérebro e o espírito, por meio de microsítios quânticos denominados por ele dendrons, ( redes de dendritos ondulatórios) que se conectariam com os psychons (construtos filosóficos da mente), influenciou profundamente o desenvolvimento de minhas idéias nos anos 70, quando ainda estudante de medicina, pela primeira vez, entrei em contato com as idéias de Eccles.
O conceito que desenvolvo aqui é um conceito dinâmico de consciência baseado em um fluxo holoinformacional (informação não-local quântico-holográfica + informação local clássica newtoniana) interconectando a dinâmica quântica cerebral holográfica com a natureza quântico-holográfica do universo. Este fluxo holoinformacional é gerado pelo modo holográfico de tratamento da informação neuronal, que pode ser otimizado e harmonizado, por meio de práticas de meditação profunda, oração e outros estados de consciência ampliada. Estudos de mapeamento cerebral realizados durante a ocorrência desses estados elevados de consciência, demonstram um estado altamente sincronizado e perfeitamente ordenado das ondas cerebrais, que formam ondas harmônicas únicas, como se todas as freqüências de todos os neurônios de todos os centros cerebrais tocassem a mesma sinfonia ( Montecucco/ Di Biase).
Este estado ondulatório cerebral altamente sincrônico, gera o campo informacional- holográfico cortical distribuído não-local, responsável pela auto-organização da consciência que interconecta o cérebro humano ao cosmos quântico-holográfico descrito pela teoria quântica de David Bohm.
Como a informação holográfica se distribui por todo o sistema, os processos quânticos de interação entre dendrons e psychons, descritos por Eccles e Beck, não se limitam à fenda sináptica, como preconizado por eles, mas são muito mais amplos e holograficamente distribuídos por todo o cérebro. Como Pribram, vejo isto não como uma contradição, mas como uma extensão natural das idéias seminais de Eccles.
Os campos neurais holográficos
Karl Pribram vem dedicando sua vida à comprovação experimental de que o funcionamento cerebral, além das redes neurais clássicas, possui também um outro funcionamento de natureza quântico-holográfica. Sua teoria holonômica do funcionamento cerebral demonstrou a existência de um processo de tratamento holográfico da informação no córtex cerebral, denominado holograma neural multiplex, dependente dos neurônios de circuitos locais, que não apresentam fibras longas e cujos finos prolongamentos denominados teledendrons, não transmitem impulsos nervosos comuns. “São neurônios que funcionam no modo ondulatório, e são sobretudo responsáveis pelas conexões horizontais das camadas do tecido neural, conexões nas quais padrões de interferência holograficóides podem ser construídos”... “este aspecto muito diferente da função neural, tem sido, de modo sistemático, ignorado pela comunidade neurocientífica: o processamento que ocorre nos ramos mais finos do neurônio. Na extremidade distal de um axônio, onde ele faz sinapses e se conecta com outro neurônio, ele se divide em ramos denominados teledendrons, que se conectam aos dendritos (prolongamentos não axonais) de outras células, através de sinapses químicas e elétricas. Os teledendrons e os dendritos formam uma rede de finas fibras na qual ocorre um tipo de processamento que não envolve impulsos nervosos. Nestas redes ocorrem polarizações flutuantes (oscilatórias) – despolarizações e hiperpolarizações dependentes das diferenças de potencial elétrico nas membranas das finas fibras, o que constitui a base deste tipo de processamento. Minha hipótese é que o que nos torna conscientes, nossa experiência consciente, é devido ao que se passa nesta rede de processamento” (Pribram).
Pribram descreveu ainda uma “equação de onda neural”, resultante do funcionamento das redes neurais holográficas, que é similar à equação de onda de Schrödinger, equação fundamental da teoria quântica. Este holograma neural é um campo construído pela interação dos campos eletromagnéticos dos teledendrons e dos dendritos dos neurônios, de modo similar ao que ocorre durante a interação das ondas sonoras no piano. Quando tocamos as teclas de um piano, estas percutem as cordas provocando vibrações sonoras que se misturam, gerando um padrão de interferência de ondas. A mistura das frequências sonoras é o que cria a harmonia, a música que ouvimos. Pribram demonstrou que um processo similar está ocorrendo continuamente no córtex cerebral, por meio da interpenetração dos campos eletromagnéticos dos neurônios adjacentes, gerando um campo harmônico de frequências eletromagnéticas. Este campo constituído por padrões de interferência de ondas harmônicas, tal como no exemplo do piano descrito acima, pode ser calculado pelas transformações de Fourier, e funciona tal como o holograma descrito pela matemática de Gabor. É um campo distribuído holograficamente, ie, simultaneamente, por todo o cérebro, codificando e armazenando em um vastíssimo campo de informação não-local, a memória, e a consciência no plano biológico. Na teoria holoinformacional da consciência proponho que este campo cortical, é capaz de nos interconectar ao campo quântico-holográfico subatômico da própria estrutura do universo, descrito na teoria quântica de David Bohm, sendo assim responsável pela emergência dos fenômenos de religação de nossa mente com o cosmos descritos como de natureza espiritual (lembramos que a palavra religião tem origem no latim religare). Tal como no piano a harmonia, a música que ouvimos, não está localizada no piano, mas no campo ressonante que o circunda, as memórias e a consciência de um indivíduo não estão localizadas somente no cérebro, mas também no campo de informação holográfica distribuído que o envolve, se interconectando instantaneamente de modo não-local ao campo quântico-holográfico universal. Os conceitos de arquivos akáshicos e consciência cósmica, das tradições espirituais orientais, são uma bela metáfora deste processo de interconexão universal!

A Interconexão Matéria e Mente
As formulações matemáticas que descrevem a curva harmônica resultante das interferências das ondas, são as transformações de Fourier, as quais Denis Gabor aplicou na criação do holograma, enriquecendo estas transformações com um modelo em que o padrão de interferência reconstrói a imagem virtual do objeto, pela aplicação do processo inverso. Ou seja, a partir da dimensão espectral de frequências, pode-se reconstruir matematicamente, e experimentalmente, o objeto na dimensão espaço-temporal. Como Pribram descreve de forma brilhante : “Um modo de interpretar o diagrama de Fourier é olhar a matéria como sendo uma “ex-formação”, uma forma de fluxo externalizada ( extrusa, palpável, concentrada). Por contraste, o pensamento e sua comunicação (mentalização) são a conseqüência de uma forma “internalizada” ( negentropica) de fluxo, sua in-formação.” E mais adiante: “Existem duas importantes vantagens conceituais nesta formulação: 1) mente inefável se transforma em in-formação definida pelas descrições quantitativas de Gabor e Shanonn , que se relacionam à termodinâmica; e 2) a compreensão que a matéria como a experienciamos é uma ex-formação, uma conceitualização espaço-temporal.
Em um outro paper, Pribram refere que podemos instanciar ambos os lados da interação Cérebro/Mente de Eccles, e ir além afirmando que:
“no lado cerebral da interação, Eccles claramente define o que está propondo: existem estruturas de fibras finas e suas conexões ( sinapses) que constituem o que ele denomina dendrons. Mas no lado mental da interação, ele postula a existência de unidades não definidas denominadas psychons. Presume que os psychons operam nas synapses por meio de processos quânticos. Temos boa evidência que os dendrons de Eccles constituem campos receptivos em unidades sensoriais corticais (Pribram 1991). Os dendrons são constituídos por teledendrons pré-sinapticos, sinapses e dendritos pós-sinápticos . Eles constituem as estruturas de fibras finas, onde os processos cerebrais ocorrem. Como campos receptivos gerados de modo sensorial, podem ser mapeados como ondas comprimidas de Gabor, ou padrões “wavelet-like”, descritos pelas Funções Elementares de Gabor. Dennis Gabor (1946) chamou essas unidades de informação, de Quanta de Informação. A razão para esse nome é que Gabor usou a mesma matemática para descrever suas unidades, que Heisenberg usou para descrever as unidades do quantum microfísico, na física quântica. Aqui elas definem a unidade estrutural de processos ocorrendo no cérebro material.No entanto, Gabor inventou esta função, não para descrever processos cerebrais, mas para encontrar a máxima compressibilidade de uma mensagem telefônica enviada através do Cabo Transatlântico, sem destruir sua inteligibilidade. A função de Gabor então descreve tanto uma unidade de processamento cerebral, como uma unidade de comunicação. O cérebro é material, mas comunicação é mental. A mesma formulação matemática descreve ambos. A estrutura elementar de processamento no dendron material de Eccles, é idêntica à estrutura elementar de processamento no psychon mental (comunicação). Existe uma identidade estrutural no processo interativo dual. Resumindo: A identidade estrutural entre um processo material cerebral e um processo mental de comunicação é dependente da função (wavelet) de Gabor. A função de Gabor efetiva de modo concreto, o processo interativo dual que Eccles e Popper estão propondo. Eccles coloca a interação no interior da synapse. Isto não é contraditório com a ênfase colocada nas propriedades do campo receptivo das arborizações das fibras finas pré e pós-sinápticas, exceto pelo fato de que a interação não é limitada à fenda sináptica.”

O universo holográfico
Este modo de organização holográfica, é tambem o que David Bohm aplicou à teoria quântica. No modelo de universo de Bohm, o espaço e o tempo são misturados, "embrulhados" em uma dimensão espectral de frequências, uma ordem oculta, implícita, sem relações espaço-temporais. Quando neste campo de frequências surgem flutuações, “ondulações” mais intensas, padrões semelhantes aos holográficos estruturam uma dimensão espaço-temporal, uma ordem explícita, que corresponderia ao nosso universo manifesto.
Bohm afirma que “na ordem implícita tudo está introjetado em tudo. Todo o universo está em princípio introjetado em cada parte ativamente, por meio do holomovimento... O processo de introjeção não é meramente superficial ou passivo, e cada parte está num sentido fundamental, internamente relacionada em suas atividades básicas ao todo, e a todas as outras partes.
Metáforas cabalísticas de um microcosmo refletindo o universo, e alquímicas como “tudo o que está em cima é igual a tudo o que está embaixo”, e concepções como “o todo no tudo e o tudo no todo” , de Hermes Trimegistus descritas no Cabaillon, assim como o simbolismo das afirmações judaico-cristãs do tipo “O pai está dentro de nós”, e “Assim na terra como no céu” , são exemplos de que essa concepção holográfica está enraizada nos arquétipos da consciência humana desde os mais antigos pensamentos registrados.
Transcrevo abaixo a metáfora budista da Rede de Indra, que parece ser a primeira descrição de um sistema holográfico (ou como Capra coloca, de um sistema quântico bootstrap) na história humana, feita há cerca de 2500 anos.
“No distante castelo celeste do grande deus Indra, existe uma maravilhosa rede de jóias preciosas dispostas de tal modo que se estendem infinitamente em todas as direções. Cada jóia é um “ôlho” brilhante da rede, e como a rede é infinita em todas as dimensões, as jóias são em número infinito. Suspensas como estrêlas brilhantes de primeira magnitude, são uma visão maravilhosa para os olhos. Se olharmos de perto uma das jóias, veremos em sua superfície o reflexo de todas as outras jóias, e que cada uma das jóias refletida nela, está refletindo também todas as outras jóias, num infinito processo de reflexão”.
Segundo Francis Cook, a metáfora da Rede de Indra, “simboliza um cosmos em que existe uma infinita interrelação entre todas as partes, cada uma definindo e mantendo todas as outras. O cosmos é um organismo auto-referente, auto-mantenedor, e auto-criador.” É também não-teleológico, pois, “não existe um início do tempo, nem um conceito de criador, nem um questionamento sobre o propósito de tudo”. O universo é concebido como uma dádiva, sem hierarquia: “Não tem centro, ou talvez, se existe um, ele está em todo lugar”
O Aspecto Quântico da Consciência
A Dinâmica Quântica Cerebral
Estudos experimentais desenvolvidos por Pribram e outros pesquisadores como Hameroff, Penrose, Yassue, Jibu, confirmaram a existência de uma dinâmica cerebral quântica, nos microtúbulos neurais, nas sinapses, e na organização molecular do líquido céfalorraquidiano, desvelando a possibilidade de formação de condensados Bose-Einstein, e a ocorrência do Efeito Frohlich nestes sistemas. Os condensados Bose-Einstein consistem de partículas atômicas, ou no caso do Efeito Frohlich, de moléculas biológicas, que assumem um elevado grau de alinhamento, funcionando como um estado altamente unificado e ordenado, tal como ocorre nos lasers e na supercondutividade.
Jibu, Yasue and Pribram desenvolveram uma dinâmica quântica cerebral que é de natureza holonômica, baseada no conceito de logon, ie, na função (wavelets) de Gabor, e nas transformações de Fourier. Nessa concepção o universo e a própria estrutura quântico-holográfica da consciência, são concebidos como uma unidade, tal como na concepção de mônadas de Leibnitz. Em sua Monadologia, Leibnitz afirma que cada mônada , tal como um pequeno espelho, reflete em sua própria imagem o universo.
Norbert Wiener também acreditava nessa maneira holográfica de se compreender o universo, como vemos em sua afirmação : "Esse espelhamento é melhor compreendido como um paralelismo, incompleto é verdade, entre a organização interna da mônada e a organização do mundo como um todo. A estrutura do microcosmos corre paralela àquela do macrocosmo” (Wiener, Back to Leibnitz).
Acredito que o imenso padrão de interferências de todo o universo, incorporando todas as relações de fase, no que Bohm denomina Ordem Implícita, faça com que cada organismo seja um reflexo de todo o universo tal como uma mônada leibnitziana .
Pribram afirma que além de cada organismo refletir o universo é possível que o universo esteja refletindo cada organismo que o observa. Portanto cada consciência está continuamente refletindo o todo, e o todo está refletindo cada consciência, por meio do fluxo holoinformacional em um processo dinâmico infinito, que é distribuído e auto-referencial.

Biofótons, Microtúbulos e Superradiância
Fritz Popp demonstrou que o corpo humano emite fótons de luz por ele denominados biofótons, e que esses biofótons são capazes de serem transmitidos através dos tecidos humanos por meio de um processo denominado superradiância, no qual não ocorre nenhuma perda de energia ou informação.
Sabemos que os microtúbulos estudados por Hameroff e Penrose , são excepcionais condutores de pulsos de energia. Esses pulsos são transmitidos por túbulos que possuem as paredes constituídas pelas proteinas MAP2s que são modeladas de tal modo que os pulsos chegam inalterados ao outro extremo do microtúbulo. Hameroff descobriu ainda que existe um elevado grau de coerência quântica entre microtubulos vizinhos, e que eles poderiam funcionar como “dutos de luz” e “guias de ondas” para os fótons, enviando essas ondas de uma célula a outra através do cérebro sem perda de energia, exatamente como na superradiância. Este processo poderia organizar ou informar moléculas em um processo do tipo Efeito Frölich e agir sobre as moléculas dos sistemas do organismo humano de modo a energisá-las de modo positivo ou negativo. Richard Amoroso, e eu, estamos propondo uma nova teoria das doenças autoimunes, com base nesta possibilidade. É uma teoria imunológica noética com características auto-organizadoras e quântico-holísticas, perfeitamente compatível com a teoria clonal que deu o Premio Nobel a Niels Jerne. .
Yasue and Jibu também demonstraram que a informação quântica deve se processar por meio de campos vibracionais e coerência quântica através dos microtúbulos.
Pribram, Yasue, Hameroff e Scott Hagan do Dept of Physics da McGill University desenvolveram uma teoria sobre a consciência na qual os microtubulos e os dendritos podem ser vistos como a internet do corpo humano ( ver Quantum optical coherence in cytoskeletal microtubules: implications for brain function- BioSystems, 1994; 32: 95-209 ).
Os microtúbulos dos dendritos são bem diferentes dos microtúbulos dos axônios. Nos axônios os microtúbulos têm todos a mesma polaridade, e são contínuos. Já os microtúbulos dendríticos são curtos e interrompidos, com polaridades misturadas, e interconectados pela MAP2, a proteína associada aos microtúbulos, específica dos dendritos. Segundo Hameroff, os circuitos MAP2 dos microtúbulos dendríticos são ideais para redes de processamento informacional, enquanto os microtúbulos axonais unipolares são ideais para transferência de informação.
Por meio desse processamento quântico cada neurônio pode fazer login e ao mesmo tempo falar com outros neurônios simultaneamente, de modo não-local , como no fenômeno de entanglement, criando uma coerência global das ondas por todo o cérebro, e gerando o processo de superradiância. Os fótons poderiam assim ser transmitidos ao longo dos microtúbulos como se fossem transparentes, um processo físico conhecido como transparência auto-induzida, comunicando-se com todos os outros fótons do nosso corpo de modo instantâneo e não-local. Isso geraria uma cooperação coletiva das partículas subatômicas nos microtúbulos, que seria distribuída por todo o sistema nervoso e provavelmente por todas as células do nosso corpo.
Este processo poderia explicar a unidade dos pensamentos e da consciência, e o processamento instantâneo em nosso cérebro.
Os físicos italianos, Del Giudice and Preparata demonstraram que as moléculas de água no cérebro são campos de energia coerentes e se estendem até 3 nanometros, ou mais, para fora do citoesqueleto ( microtúbulos ), o que nos leva a pensar que as moléculas de água no interior dos microtúbulos possam estar ordenadas. Estes autores demonstraram que essa focalização e coerência de ondas pode produzir feixes de 15 nanômetros de diâmetros que é precisamente o diâmetro interno dos microtúbulos. Jibu e Hameroff chegaram à mesma conclusão demonstrando que os diâmetros internos de 15 nanômetros dos microtúbulos são perfeitos para guiar a luz de modo livre, sem perdas termais.
Esses experimentos levaram Del Giudice and Preparata a propor uma conclusão paradigmática, que já ocorrera a Fritz Popp, de que a consciência é um fenômeno global ocorrendo em todo o organismo, e não somente no cérebro. O que nos lembra o conceito de chakras, os centros de consciência dispostos pelo corpo, descritos nas tradições espirituais orientais.
Talvez a consciência seja luz coerente em sua essência, afirma Lyne McTaggart , em seu livro The Field.
Kauffman, em seu mais recente livro Reinventing the Sacred, 2008, relata que as pesquisas com moléculas envolvidas no processo de fotossíntese, demonstraram que a molécula de clorofila que captura o fóton, e a proteína antena que a mantém, suportam um estado de coerência quântica por um tempo muito longo. Parece que a proteína antena suprime a decoerência, reinduzindo coerência em partes decoerentes da molécula de clorofila. Kauffman afirma que “ desde que a super elevada eficiência na transferência de energia luminosa para energia química é crítica para a vida, esses resultados sugerem muito fortemente que a seleção natural atuou sobre a proteína antena para melhorar sua habilidade de sustentar o estado de coerência quântica”. Este fato experimental demonstra dados que revelam ser o processamento quântico um fato corriqueiro nos organismos biológicos, e que a tão falada decoerência quântica em temperatura corporal, que tornaria impossível a ocorrência de fenômenos quânticos na temperatura cerebral, clamada pela maioria dos críticos das teorias quânticas da consciência, é uma falácia. A fotossíntese é a prova natural e a comprovação experimental da possibilidade de existir coerência quântica no cérebro.

Unificando Mente e da Matéria
Esses processos quânticos distribuídos por todo o organismo, nos permitem conceber uma teoria unificada da mente e da matéria tal como a totalidade cósmica indivisível de David Bohm, e conceber o universo, nosso corpo e a consciência como uma vasta e dinâmica rede holoinformacional inteligente de troca de informações, energia e matéria.
Walter Schemp , o criador da holografia quântica, que hoje é a base do processamento de imagens por ressonância magnética, afirma segundo McTaggart, que todas as informações sobre os objetos em nosso universo, inclusive suas formas tridimensionais, dependem de flutuações que ocorrem no chamado Campo de Energia do Ponto Zero, um vastíssimo campo de energia preconizado por Puthoff. Na Teoria Holoinformacional esse campo de memória-informação corresponde ao campo quântico-holográfico universal, ou campo akhashico, conforme a terminologia de Laszlo, que em uma elaboração mais complexa e mais abrangente corresponderia ao Campo Noético de Richard Amoroso, co-autor comigo de diversos livros e trabalhos.
Schempp conseguiu calcular, recuperar e reestruturar essas informações codificadas no campo holoinformacional em forma de imagens, nas máquinas de ressonância magnética utilizando as transformações de Fourier, a matemática holográfica de Gabor e uma complicada matemática que ele denomina simpletic spinor vector . Posteriormente com a colaboração de Marcer desenvolveu um mapa matemático de como a informação é processada no cérebro que é na verdade uma demonstração matemática da teoria de Pribram.
Schemp e Marcer acreditam que nossas memórias estão no Campo do Ponto- Zero, que em minha proposta holoinformacional quântico-holográfica seriam o fluxo dinâmico holoinformacional entre o cérebro e o cosmos, de modo similar mas não idêntico ao holomovimento de Bohm. Como diz Mc Taggart : “Pribram e Yasue poderiam perfeitamente ter proposto que nossas memórias poderiam ser simplesmente, uma emissão coerente de ondas vindas desse Campo, e que as memórias a longo prazo seriam grupos estruturados de ondas de informação. Isso poderia explicar a instantaneidade deste tipo de memórias, que não necessitam de nenhum mecanismo de rastreamento que procure informações através de anos de memórias”.
Seja qual for o mecanismo de recepção no cérebro, que como demonstrou Pribram, está distribuído por todo o tecido encefálico por meio da função holográfica de Gabor, ele está continuamente acessando o que denominamos Campo Holoinformacional Universal.

A Consciência Holoinformacional
A interação cérebro-universo tem que ser obrigatoriamente uma conexão não-local, pois é instantânea, o que nos levou a expandimos nossa idéia em direção à essa proposta holoinformacional não-local, na qual os padrões dinâmicos quânticos cerebrais com suas redes neurais e campos quântico-holográficos, são parte ativa do campo informacional quântico-holográfico cósmico, gerando uma interconexão informacional simultaneamente não-local (quântico-holística), e local (mecanicística-newtoniana), ou seja, holoinformacional. Aplicando a propriedade matemática básica dos sistemas holográficos, que demonstra que cada parte do sistema contem a informação de todo o sistema, aos dados matemáticos da física quântica de Bohm, e aos dados experimentais da teoria holográfica de Pribram, propusemos, que esta interconectividade universal, baseada nos campos quânticos não-locais de Umezawa, nos permite acessar toda a informação codificada nos padrões de interferência de ondas existentes no universo desde sua origem, pois a natureza holográfica distribuída do universo, faz com que cada parte, cada cérebro-consciência, contenha a informação do todo, tal como nas mônadas de Lebnitz.
Para que esta conexão cérebro-universo possa se processar, é necessário aquietarmos nosso cérebro, sincronizando o funcionamento dos hemisférios cerebrais, e permitindo que o modo de tratamento holográfico da informação neuronal se otimize. Isto se consegue facilmente por meio das práticas de meditação, relaxamento e oração que comprovadamente sincronizam as ondas elétricas dos hemisférios cerebrais, e otimizam o tratamento holográfico da informação cortical, gerando um estado ampliado de consciência. Descrições das comprovações eletroencefalográficas e clínicas, com a respectiva bibliografia desse fenômeno podem ser encontradas em meu livro, O Homem Holístico, a unidade mente-natureza, Editora Vozes.
Em sistemas auto-organizadores como o cérebro humano, os “correlatos neurais” da consciência, não são estruturados somente por complexificações das relações locais mecanicísticas da matéria, mas são primordialmente, gerados pelo campo quântico-holoinformacional inteligente auto-organizador universal. A partir dessa dimensão oculta, espectral, se forma (ex-forma) a realidade explícita, que é o nosso universo material manifesto. O cérebro, que é parte desta realidade manifesta, gera por sua vez, sua própria realidade espectral a partir dos campos quântico-holográficos, que se formam nos padrões de interferência de ondas, nas interseções das flutuações eletromagnéticas nas finas fibras telesinaptodendríticas descritas por Pribram. Pribram denomina esta realidade espectral de “domínio pré-espaço-temporal de realidade potencial, porque na realidade experienciada de cada momento navegamos no espaço-tempo”.

O campo unificado da consciência
O cosmos é constituído por matéria vida e consciência, que são processos informacionais significativos, isto é, processos inteligentes com significados,ie, ordem transmitida através da evolução cósmica. Um universo auto-organizado como um campo quântico-holográfico, pleno de informação significativa local e não-local (holoinformacional), é um universo inteligente que funciona como uma mente, como o astrônomo inglês Sir James Jeans já tinha observado: "O universo começa a se parecer cada vez mais com uma grande mente , do que com uma grande máquina".
Este campo quântico-holográfico universal pode ser compreendido como uma internet cósmica inteligente. Uma mente cósmica!
Uma Consciência Holográfica Universal, como a Consciência Cósmica das tradições espirituais da humanidade!
Em resumo, nesta concepção holoinformacional do cérebro e do universo, consciência e inteligência são compreendidos como informação, como ordem significativa que se auto-organiza e se complexifica. São dimensões, com níveis de complexidade diferentes, mas que se superpõem, sendo possível afirmar que a dimensão consciência-inteligência-informação sempre esteve presente em todos os níveis de organização da natureza.
Matéria, vida e consciência não são entidades separadas, capazes de serem analisadas em um arcabouço conceitual cartesiano, analítico-reducionista, mas uma unidade holística indivisível, um campo quântico holoinformacional inteligente auto-organizador que vem se desdobrando há bilhões de anos em uma infinita e dinâmica holoarquia cósmica.


Einstein gostava de dizer “quero conhecer os pensamentos de Deus... o resto são detalhes”.
Estes códigos informacionais que in-formam o Universo, são os verdadeiros pensamentos de Deus... aquilo que verdadeiramente nos religa à nossa fonte! Foram colocados à nossa disposição, oferecidos como uma dádiva que não temos como compreender! Sua utilização correta pelo homem, imerso neste todo holoinformacional gerador de vida e consciência, e capaz de acessar esse todo, deve estar direcionada para a preservação desta linguagem universal, por meio de uma ética de Reverência pela Vida!
Esta, a nossa grande responsabilidade moral!


O bem consiste em preservar a vida, em lhe dar suporte, em procurar levá-la ao seu mais alto valor. O mal consiste em destruir a vida, em ferí-la ou destruí-la em plena florescência.
Albert Schweitzer, Prêmio Nobel da Paz



Referências
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

QUANTUM-HOLOGRAPHIC INFORMATIONAL CONSCIOUSNESS

NeuroQuantology | December 2009 | Vol 7 | Issue 4 | Page 657-664
Di Biase, Quantum-holographic informational consciousness
ISSN 1303 5150 www.neuroquantology.com
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OPINION AND PERSPECTIVES—
Quantum-Holographic Informational
Consciousness
Francisco Di Biase
Abstract
The author propose a quantum-informational holographic model of brainconsciousness-
universe interactions based in the holonomic neural networks of
Karl Pribram, in the holographic quantum theory developed by David Bohm, and
in the non-locality property of the quantum field described by Hiroomi Umezawa.
I consider this model an extension of the interactive dualism of Sir John Eccles, of
an interconnection between brain and spirit by means of quantum microsites
named dendrons and psychons. I propose a dynamic concept of consciousness
seen as a holoinformational flux interconnecting the holonomic informational
quantum brain dynamics, with the quantum informational holographic nature of
the universe. This self-organizing flux is generated by the holographic mode of
treatment of neuronal information and can be optimized through practices of
deep meditation, prayer, and others states of higher consciousness that underlie
the coherence of cerebral waves. In brain mapping studies performed during the
occurrence of these harmonic states we can see the spectral array of brain waves
highly synchronized and perfectly ordered like a unique harmonic wave, as if all
frequencies of all neurons from all cerebral centers played the same symphony.
This highly coherent brain state generates the non-local holographic
informational cortical field of consciousness that interconnect the human brain
and the holographic cosmos. The comprehension of this holonomic quantum
informational nature of brain-consciousness-universe interconnectedness allows
us to solve the old mind-matter cartesian hard problem, unifying science,
philosophy, and spiritual traditions in a more transdisciplinary, holistic, integrated
paradigm. In this new arrangement cosmovision, consciousness and
transpersonal phenomena becomes part of Science and of the very
holoinformational nature of the Holographic Conscious Multiverse.
Key Words: consciousness, quantum holography, quantum Information, mindbody
problem
NeuroQuantology 2009; 4: 657-664
Introduction1
Here I present a quantum-informational
holographic model of brain-conscious-universe
interaction based on the holonomic neural
network model of Karl Pribram (Pribram, 1977a;
b) and relying on the ontological interpretation
Corresponding author: Francisco Di Biase
Address: Albert Schweitzer University, Switzerland; World
Information Distributed, University, Belgium and Clínica Di Biase,
Barra do Piraí, Rio de Janeiro, Brazil
e-mail: dibiase@terra.com.br
of quantum theory developed by David Bohm
(Bohm, 1983; 1987; Bohm and Peat, 1987), with
extended nonlocal properties of the quantum
field as described by Hiroomi Umezawa (1993). I
consider this model an extension of the
interactive dualism developed by Sir John Eccles
(Eccles, 1952; 1989; 1993; 1994; 1998) and
extended by Richard Amororso (Amoroso, 1999;
2000; 2003; Amoroso et al., 2000). Eccles’ idea
of an interconnection between brain and spirit
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Di Biase, Quantum-holographic informational consciousness
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by means of quantum microsites named
dendrons (bundles of nerve dendrites) that
couple to psychons, (Eccles philosophical
construct of mind that interacted with or
coupled to brain dendrons.)has deeply
influenced the development of my conception of
consciousness (Di Biase, 1981; 1995; Di Biase
and Rocha, 1998; 2000). I propose a dynamic
concept of consciousness seen as a
holoinformational flux interconnecting
holonomic informational Quantum Brain
Dynamics (QBD) (di Biase and Rocha, 2000;
2004; Di Biase and Amoroso, 2005), with the
quantum informational holographic nature of
the universe (Di Biase and Amoroso, 2008). This
self-organizing flux is generated by a holographic
mode of neuronal information that can be
optimized through practices of deep meditation,
prayer, and other states of higher consciousness.
The quantum potential in Bohm’s ontological
interpretation of quantum theory is a guidance
principle (called the pilot wave by de Broglie)
and was introduced to ‘steer’ evolution of the
wave function. of which may effect the
coherence of cerebral waves (Di Biase, 1995; Di
Biase and Rocha, 1998; 2000; 2004).
Brain mapping studies performed during
the occurrence of these harmonic states have
shown a highly synchronized and perfectly
ordered spectral array of brain waves that form
unique harmonic waves, as if all frequencies of
all neurons from all cerebral centers played the
same symphony. This highly coherent brain state
generates the nonlocal holographic
informational cortical field of consciousness
interconnecting the human brain and the
holographic cosmos (Bohm and Hiley, 1993). The
comprehension of this holonomic quantum
informational nature of brain-consciousnessuniverse
interconnectedness allows us to solve
the historic mind-matter Cartesian hard problem
(Chalmers, 1995a; 1995 b; 1996 ), unifying
science, philosophy, and spiritual traditions in an
expanded transdisciplinary, holistic, paradigm. In
this new cosmovision, consciousness and
transpersonal phenomena becomes parts of
science and of the very holoinformational nature
of the universe (Amoroso et al., 2000).
In this holoinformational cosmovision
brain and universe are conceived as quantum
holographic informational systems
interconnected by an instantaneous universal
nonlocal holoinformational flux. This
instantaneous holoinformational brain-cosmos
dynamics is based on three pillars of modern
science:
1) The holographic neural network
processing of brain systems described by
neuroscientist Karl Pribram (Pribram,
1969; 1980; 1991; 1993; 1997; 1997b).
2) The quantum-holographic theory of
the universe developed by physicist
David Bohm (Bohm, 1987; Bohm and
Peat, 1987; Bohm and Hiley, 1993).
3) The quantum principle of nonlocality
developed by physicist Hiroomi
Umezawa, in his theory of the quantum
field (Zurek, 1990).
For a more comprehensive exposition of
my text I am going initially to define the terms
nonlocality and holographic.
Nonlocality
Nonlocality is a fundamental property of the
universe, proved to exist at the quantum and
macroscopic level, responsible for instantaneous
interactions between all cosmic phenomena - a
mathematical consequence of Umezawa’s
Quantum Field Theory (Umezawa,, 1993) that
unifies the electromagnetic, nuclear and
gravitational fields in a subjacent indivisible
totality.
Quantum Field Theory explains all
subatomic, atomic, microscopic and even
macroscopic phenomena, as well as
superconductivity and lasers; and is considered
the most fundamental physical theory of the
universe. Besides being mathematically similar
to the gravitational and electromagnetic fields,
the quantum field doesn’t exist physically in 3D
spacetime giving rise to it’s peculiar nonlocal
property. As a nonlocal phenomenon it
influences instantaneously all others regions of
spacetime, without necessity of any change of
energy.
According to classical and relativistic
physics nonlocal phenomena do not exist. This
theoretical impossibility generated the famous
Einstein-Bohr controversy and the celebrated
Einstein-Podolski-Rosen (EPR) Paradox. Einstein
and his associates wouldn’t admit that quanta or
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information could travel faster than light and
created a thought experiment to demonstrate
that quantum physics was therefore incomplete.
But contrary to their initial proposition, the
existence of nonlocality has been dramatically
and convincingly proven to exist in modern
physics experiments. According to Bohr, if an
atom simultaneously emits two opposite spin
particles, and if we alter the spin of one, even if
they are separated by an enormous distance (for
instance, one in a lab on Earth and the second
on the other side of the galaxy), the spin of the
second is instantaneously modified..
Holographic Systems
Holographic systems are systems that can
generate three-dimensional virtual images. The
virtual image or hologram is created when a
laser falls upon an object and reflects on a plate
and a second laser or rectilinear reflected beam
falls on this plate generating a mix of the waves
from the two beams. This wave interference
pattern stores all the information about the
form and volume of the object, and when it is
reflected it generates a three-dimensional image
of the object in space. The relevancy for us is
that we can prove mathematically and
experimentally that in holographic systems
information about the whole system is
distributed in each part of the system. If we
break the holographic plate, each part of it will
display the entire three-dimensional image of
the object in space, showing us that in
holographic systems the whole is in the parts as
each part is in the whole.
These holographic transformations form
spacetime order from a spectral dimension of
frequencies the description of which is
dependent on the pioneering mathematical
formulations first described by a concept called
monads developed by Leibniz. In the Twentieth
Century Dennis Gabor described the
mathematical principles of holography, winning
him a Nobel Prize. The mathematical
formulations that describe the harmonic curve
resulting from the interference pattern of waves
are called Fourier transformations, after the
18th century French mathematician that
described it. Gabor applied Fourier
transformations to the creation of the hologram
showing how Fourier transforms of the
interference pattern can be used to rebuild the
virtual image of the object by the application of
the inverse process. Gabor showed that from a
dimension of frequencies objects in spacetime
can be rebuilt in a virtual form!
Holographic Neural Networks Fields
Karl Pribram has demonstrated with his
holonomic theory of brain dynamics that the
cerebral cortex is the site of a holographic
information process he calls a multiplex neural
hologram that is dependent on local circuits of
neurons without long fibers that do not transmit
ordinary nervous impulses. “These neurons
function in the undulatory mode and are above
all responsible by the horizontal layer
connections of the neural tissue where
holographic interference patterns can be built”
(Pribram, 1993). Pribram presents evidences
that at the level of conscious experience,
information processing in the brain is basically
Gabor-like rather than binary (as in Shannon’s
information measurement theory). He shows
that the process takes place in a phase space
created by a multiply interconnected web of
teledendrons, synapses and dendrites, called
synaptodendritic web.
The neural hologram is build by the
interaction of the electromagnetic fields of the
neurons similarly to the interaction of sound
waves in a piano. When a piano is played the
keys strike the strings generating a vibrational
standing wave between the two ends of the
string, creating an interference pattern (This
interference can be destructive or constructive).
Nodes of constructive interference, of these
sound frequencies, create the harmony or
harmonics that are the notes making up the
music we listen to. Pribram has demonstrated
that a similar process is continuously occurring in
the cerebral cortex by means of the
interpenetration of the electromagnetic fields of
the adjacent cortical neurons, generating a
harmonic field. According to Pribram’s model his
harmonic electromagnetic field distributed in
the cerebral cortex, holographically stores and
encodes a huge information field responsible for
the emergence of memory and consciousness.
As the music is not in the piano but in the
resonating field that surrounds it, so our
memories and consciousness are not in the
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brain, but in the holographic information field
that surrounds it.
Pribram’s neural wave equation
(Pribram, 1993), describing holographic neural
network processing is similar to the Schrödinger
wave equation of quantum theory with the
addition of the de Broglie-Bohm Quantum
Potential. This is not coincidental and opens the
possibility of holographic interaction between
receptive fields in the cortex with the
holographic quantum universe described by
David Bohm. This new holographic paradigm
allows us to rethink the manner in which
information processing occurs in the nervous
system. In this context, Pribram’s quantum
holonomic theory of brain function is one of the
most brilliant and revolutionary contribution to
neuroscience in the 100 years since the initial
studies of Sherrington!
Information
The notion of information implies a certain
ambigüity, meaning the bit capacity of a physical
system (Shannon), or the semantic content
(meaning) conducted by the bits during a
communication. In the information theory, the
organization, the order expressed by the amount
of information in the system (Shannon’s H
function) is the information measure that is
missing to us, the uncertainty about the system.
The classical theory of information
situated at the level of “bit capacity”, is unable
to provide the proper connection to non-local
information and consciousness (Clarke, 1995). So
we need a more radical view of information for
a more radical view of the fundamental nature
of consciousness.
Non-local quantum information
According to Bohm, De Broglie’s model is a new
type of field, which activity is dependent upon
the information content that is conducted to the
whole experimental field. Adding to its
equations a Quantum Potential that satisfies
Schrödinger’s equation, that depends on the
form but not on the amplitude of the wave
function, Bohm developed a model in which this
quantum potential, carries “active information”
that “guides” the particle along its way. This
quantum potential is subtle in its form and does
not decay with the distance.
Information Physics
Developed by Wojciech Zurek (1990) and others,
propose that the physical entropy would be a
combination of two magnitudes that
compensate each other:
1-the observer’s ignorance, measured by
Shannon’s statistical entropy
2-the disorder degree of the observed system,
measured by the algorythmic entropy which is
the smallest number of bits needed to register it
in the memory.
During the measurement, the observer’s
ignorance is reduced, as a result of the increase
in bit numbers in its memory, remaining,
however,constant the sum of these two
magnitudes, that is, the physical entropy.
Quantum Informational View of the Universe
In this informational view of the universe the
observer remains included as part of the system,
and the quantum universe changes because the
observer’s mind unleashed a transfer of
information at a subatomic level.
From this all results a Law of
Conservation of Information as well as or more
fundamental than the law of conservation of
energy. So, as put by Stonier (1993):
Information is the cosmical organizational
principle with a “status” equal to matter and
energy.
In another paper (Di Biase and Rocha,
2000), I defined information as “a intrinsic,
irreducible and non-local, property of the
universe, capable of generate order, selforganization
and complexity” . Chalmers (1995a;
1995b; 1996), defines consciousness as “an
irreducible aspect of the universe, like space and
time and mass”. So we conclude that
consciousness is non-local information with a
status equal to matter and energy
3. The Holographic Multiverse
The mathematical formulations that describe the
harmonic slope resulting from wave interference
are Fourier transformations that Dennis Gabor
applied to the development of the hologram,
enriching it by the application of the inverse
process, a model in which the interference
pattern rebuilds the object in a virtual image. In
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other words, from the spectral dimension of
frequency one can reconstruct mathematically
and experimentally the object in spacetime
dimensions!
This holographic organization mode is
also what Bohm applied to quantum theory to
develop his holographic quantum theory of the
universe. In Bohm’s universe model, space and
time are mixed, “folded” into a dimension of
frequencies that is an implicit hidden order
without spacetime relations. In this field of
frequencies dimensional fluctuations occur,
more intense “undulations” like holographic
patterns, to build a spacetime dimension (Peat,
1987). This explicit order is our manifest
universe. According to Bohm (1983):
“In the implicate order everything is folded
into everything. But it’s important to note
here that the whole universe, is in principle
enfolded into each part actively through the
holomovement, as well as the parts. Now
this means that the dynamic activity-internal
and external- which is fundamental for what
each part is, is based on its enfoldment of all
the rest, including the whole universe. But of
course, each part may unfold others in
different degrees and ways. That is, they are
not all enfolded equally in each part. But the
basic principle of enfoldment in the whole, is
not thereby denied. Therefore enfoldment is
not merely superficial or passive but, I
emphasize again, that each part is in a
fundamental sense internally related in its
basic activities to the whole and to all the
other parts. The mechanistic idea of external
relation as fundamental, is therefore denied.
Of course such relationships are still
considered to be real, but of secondary
significance. That is, we can get
approximations to a mechanistic behavior
out of this. That is to say, the order of the
world, as a structure of things that is
basically external to each other, comes as
secondary and emerges from the deeper
implicate order”.
4. Towards a Holoinformational Theory of
Consciousness
Experimental research developed by Pribram
and other consciousness researchers like
Hameroff (1994; 2007) and Penrose (Hameroff
and Penrose, 1996; 2003), Jibu and Yassue
(1995), confirm the existence of a Quantum
Brain Dynamics in neural microtubules, in
synapses and in the molecular organization of
the cerebrospinal fluid. This Quantum Brain
Dynamics can generate Bose-Einstein
condensates and the Fröhlich Effect. Bose-
Einstein condensates consist of atomic particles,
or in the case of the Fröhlich Effect biological
molecules, that can assume a high level of
coherent alignment, functioning as a highly
ordered and unified informational state, as seen
in lasers and superconductivity. These quantum
dynamics show us that the interaction process
between dendrons and psychons, described by
Eccles, are not limited to the synaptic cleft, as
stated by Eccles, but a much wider embodiment
throughout the whole brain. Psychons are
presumed to operate on synapses by way of
quantum processes.
Pribram (1991) demonstrates good
evidence that Eccles' dendrons make up
receptive fields in cortical sensory units.
Dendrons are composed of pre-synaptic
teledendrons, synapses and post-synaptic
dendrites. They compose the fine fiber structure
wherein brain processing occurs. As Pribram
states (1991), “as sensory generated receptive
fields they can be mapped in terms of wavelets,
or wavelet-like patterns such as Gabor
Elementary Functions. Dennis Gabor (1946)
called these units Quanta of Information. The
reason for this name is that Gabor used the same
mathematics to describe his units as had
Heisenberg in describing the units of quantum
microphysics. Here they define the unit structure
of processes occurring in the material brain”.
Like Pribram , I see this quantum
holographic interactions not as a contradiction
but as a natural extension of Eccles ideas (Eccles,
1952; 1989; 1993; 1994; 1998; Popper and
Eccles, 1977).
I expanded my conjecture that the
interconnectedness between brain and cosmos
is an instantaneous nonlocal connection and to
the concept of a holoinformational flux, from
which both mind and matter are in-formed, that
resembles Bohm’s holomovement. But in this
new concept, quantum holographic brain
dynamic patterns are conceived as an active part
of the universal quantum-holographic
informational field, and capable of generating an
informational field interconnection that is
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simultaneously nonlocal (quantum-holistic) and
local (Newtonian-mechanistic), i.e.,
holoinformational. Taking yet in consideration
the basic mathematical property of holographic
systems in which the information of the whole
system is distributed in each part of the system,
plus Bohm’s holographic quantum physics data,
and the experimental data of the holonomic
theory of Pribram, we propose that this
universal interconnectedness (Laszlo, 2003)
could permit us to access all the information (Di
Biase and Rocha, 2000; 2004; Di Biase and
Amoroso, 2005; 2008) codified in the wave
interference patterns existing in all the universe
since its origin. The quantum-holoinformational
nature of the universe interconnects each part,
each brain-consciousness, with all the
information stored in the holographic patterns
distributed in the whole cosmos, in an indivisible
irreducible informational cosmic unity (Bohm
and Hiley, 1993; Di Biase and Amoroso, 2008;
Zurek, 1990).
As a consciousness exercise, analogous
to Einstein’s thought experiments, we could
compare this universal informational
interconnectedness with the following
metaphoric quotations from various spiritual
traditions: As above so below (Alchemy). All that
is outside is inside (Upanishads). The father is
inside us (Christianity). As in the earth so in the
heavens (Christianity). This universal
interconnectedness could be perfectly
understood as a Cosmic Holographic
Consciousness.
Consciousness in this conception is the
holoinformational flux that permits the
interaction of the Holonomic Informational
Quantum Brain Dynamics - that we can consider
as extended dendrons - with the quantumholographic
nature of the universe, that we can
view as an extended cosmic psychon.
As I have already put Pribram states, that as
sensory receptive fields dendrons can be
mapped in terms of Gabor’s Elementary
Functions or wavelet-like patterns, and Gabor
called these unities Quanta of Information,
because he used the same mathematics to
describe it as Heisenberg did in describing units
of quantum physics. Yet Pribram shows:
They define the unit structure of processes
occurring in the material brain. However,
Gabor invented his function, not to describe
brain processes, but to find the maximum
compressibility of a telephone message that
could be sent over the Atlantic Cable without
destroying its intelligibility. The Gabor
function thus describes both a unit of brain
processing and a unit of communication.
Brain is material, communication is mental.
The same mathematical formulation
describes both. The elementary structure of
processing in Eccles material dendron is
identical to the elementary structure of
processing of a mental (communication)
psychon. There is a structural identity to the
dual interactive process (Amoroso, 2003).
Richard Amoroso, creator of Noetic Field
Theory (Amoroso, 1999; 2000; Amoroso et al.,
2000), tell us that “Consciousness pervades
atoms, is the organizing power deeper than
gravitation (unitary field), that frames the
universe, causes gravitation, and the flux or élan
vital which gives life and is the ‘light of the
mind’... this basic holistic framework
incorporates the implicate and explicate order
described by Bohm” (Eccles, 1989; 1994). This
noetic definition of consciousness is as radical as
our holoinformational consciousness, and I think
we are saying the same thing with different
approaches.
5. Transpersonal States of Consciousness as
highly synchronized harmonic brain state
Through practices of deep meditation, prayer,
and others states of higher consciousness that
elevates the coherence of cerebral waves, this
universal interconnectedness becomes
expanded by synchronizing the functioning of
the cerebral hemispheres and unleashing a
highly coherent brain state that optimizes the
holographic treatment of neuronal information.
In brain mapping studies this highly
synchronized harmonic state shows brain waves
highly synchronized and perfectly ordered, in a
unique harmonic wave, as if all frequencies of all
neurons from all cerebral centers played the
same symphony. In my concept this highly
harmonic synchronized state generates a
nonlocal holographic informational cortical field
creating a holoinformational flux of
consciousness interconnecting the human mind
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with the Holographic Cosmic Consciousness. A
survey of these electroencephalographic and
clinical studies can be found in my Portuguese
books (Di Biase, 1995; Di Biase and Rocha, 1998;
2004), and the mathematics of it can be view in
a recent paper I published with Richard
Amoroso, we presented in Belgium (Di Biase and
Amoroso, 2008).
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